Teoria Psicanalítica

Sob o nome de “Psicoterapia Analítica” entende-se uma forma de psicoterapia que se apoia nos princípios teóricos e técnicos da Psicanálise, sem todavia realizar as condições de um tratamento psicanalítico rigoroso. (Laplanche e Pontalis, 2004)

Os mesmos autores definem a Psicanálise como sendo a disciplina fundada por Sigmund Freud e na qual podemos, com ele, distinguir três níveis:

A) Um método de investigação que consiste essencialmente em evidenciar o significado inconsciente das palavras, das ações, das produções imaginárias (sonhos, fantasias, delírios) de um sujeito. Este método baseia-se principalmente nas associações livres do sujeito, que são a garantia da validade da interpretação. A interpretação psicanalítica pode estender-se a produções humanas para as quais não se dispõe de associações livres.

B) Um método psicoterápico baseado nesta investigação e especificado pela interpretação controlada da resistência, da transferência e do desejo. O emprego da Psicanálise como sinônimo de tratamento psicanalítico está ligado a este sentido. (…)

C) Um conjunto de teorias psicológicas e psicopatológicas em que são sistematizados os dados introduzidos pelo método psicanalítico de investigação e tratamento.

“Psyche” é uma palavra grega que significa “alma”. Tratamento psíquico significa, portanto, tratamento anímico. Assim, poderia se pensar que o significado subjacente é: tratamento dos fenômenos patológicos da vida anímica. Mas não é este o sentido dessas palavras. “Tratamento anímico”, antes, quer dizer: tratamento que parte da alma (seja das perturbações anímicas ou físicas) por meios que atuam, em primeiro lugar e de maneira direta, sobre o que é anímico no Ser Humano. Um desses meios é sobretudo a palavra e as palavras são também a ferramenta essencial do tratamento anímico (Freud, 1905).

Freud estabelece uma diferença convincente entre Psicanálise e as outras formas de psicoterapia. (…) Ele baseia-se nesse belo modelo de Leonardo da Vinci, o qual diferencia as artes plásticas que operam per via di porre e per via di levare. A pintura cobre de cores a tela vazia (per via di porre), tal como a sugestão, a persuasão e os outros métodos que acrescentam algo para modificar a imagem da personalidade. Ao contrário, a Psicanálise, do mesmo modo que a escultura, retira o que está a mais para que surja a estátua que dormia no mármore (per via di levare). Esta é a diferença substancial entre os métodos anteriores e posteriores a Freud. Depois dele e por sua influência, surgem métodos que atuam per via di levare, ou seja, que procuram liberar a personalidade daquilo que está impedindo-a de tomar sua forma pura, sua forma autêntica (Etchegoyen, 2004). O Psicólogo pode atuar como propiciador do surgimento de aspectos vivos que estão perdidos ou ocultos nas profundezas do inconsciente dos pacientes (Zimerman, 1999).

Referências

Etchegoyen, R. H. (2004). Fundamentos da técnica psicanalítica. Porto Alegre: Artes Médicas.
Freud, S. (1905). Fragmentos da análise de um caso de histeria. Obras Completas de Sigmund Freud v. VII. Rio de Janeiro: Imago.
Laplanche, J.; Pontalis, J. B. (2004). Vocabulário da psicanálise. São Paulo: Martins Fontes
Zimerman, D. E. (1999). Fundamentos Psicanalíticos. Porto Alegre: Artmed

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